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Confira todas as imagens desta expedição no slideshow

26/09/2007

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Finalmente depois de 30 dias voltar a civilização vai ser bom. Foi cansativo fazer a maior parte dessa expedição sozinho mas ao mesmo tempo interessante passar por essa experiência, uma oportunidade também para estar comigo mesmo e com a natureza. Uma atitude mais contemplativa frente ao ambiente, silenciosa. E assim se encerra a expedição pelo planalto, depois de tantas peripécias.

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25/09/2007

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O Parque Estadual de Rondinha esta sem sede, ou melhor, com uma sede improvisada já que a antiga foi queimada, parece que incêndio criminoso. Encontrei a sede mas não havia ninguém, acho que saíram bem cedo. Dei uma volta no parque de carro pelas estradas vicinais que o contornam seguindo os pontos do gps. Algumas aves, muitas lavouras, nada demais. Como a maioria das unidades, está espremida entre lavouras cheias de pesticidas que poluem as águas e a pecuária, que apesar de menor impacto, também não deixa vir os brotos de arvores nativas. Encontrei a casa de seu Celso Montanari, o primeiro guarda-parque aqui de Rondinha. Está esperando a aposentadoria depois de 33 anos cuidando do parque. A 27 anos atrás ele plantou 15 mil araucárias no parque que já formam uma bela floresta, apesar de terem sobrevivido somente 50mil. Voltando a sede encontrei os guarda-parques fazendo almoço. Combinei para a tarde uma trilha com um deles atravessando o parque. Seu Inocêncio me leva pela trilha que passa por arvores ancestrais e muitos cipós. No final da trilha chegamos a um jabuticabal, uma concentração de jabuticabeiras.

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24/09/2007

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Finalmente parece que o tempo vai abrir. Fotografo um espetáculo de nuvens negras passando e dando lugar ao céu claro que prenuncia o bom tempo. Parece um balé das nuvens, lindo. Volto até o final da trilha longa para fotografar uns brotos de xaxins. Saio de carro para fazer umas araucária antigas na estrada mas o meu tempo em Espigão já estava esgotado. Tomei a estrada para Sarandi. No caminho um pôr-do-sol vermelho sobre a torre da igreja e uma araucária em Tapejara. Em Sarandi um hotel surpreendentemente confortável, o melhor da viagem, um quarto enorme.

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23/09/2007

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Ainda chove intermitentemente, encontro novamente um quati na trilha mais longa, a que fiz no segundo dia. Vou até o final mas não vejo os bugios hoje. Fotografo belos fungos amarelos num tronco. Vou até a cidade ver gente pois cansei de ficar no alojamento sozinho.

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22/09/2007

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Acordei ás 6h e olhei pela janela. O céu escuro me desanimou e resolvi ficar mais um pouco na cama. Quando levantei fui até a janela da frente e um casal de veados pastava tranquilamente. Quando voltei do quarto com o equipamento o guarda-parques Noé subia pela estrada e os veados entraram no mato. Depois de mais uma tentativa infrutífera de matear com a erva-mate local (a bomba entupiu de novo) comi um mingau de aveia e resolvi conhecer a segunda trilha do parque (1 470 m). Ela é bem larga e limpa com marcações de distâncias de 100 em 100 metros. Tem umas placas de vez em quando com números seqüenciais que imagino sejam estações para interpretação da trilha. Depois de uns 500 metros vejo um animal na trilha ao longe se alimentando. Vou chegando perto e vejo que é um quati com o pêlo molhado. Logo vejo mais dois um pouco adiante. Já pronto para fotografar me aproximo lentamente (estilo taichi). Um deles começa a procurar alimento na minha direção e só me vê quando esta a uns 3 metros. Ai ele se assusta e sai da trilha para subir numa arvore. Os outros o imitam. A luz é bem pouca, o tempo esta muito fechado. Continuo caminhando e volto a encontrar 3 quatis, seriam os mesmos? No final da trilha ela faz uma curva para a esquerda e depois de contornar umas araucárias enormes volta a encontrar a trilha principal. No meio da volta escuto um papagaio vocalizando e paro tentando acha-lo. Quando consigo localiza-lo num galho de pinheiro bem alto ele voa. Continuo mais um tempo observando a mata e escuto um barulho de galhos se mexendo. Bugios novamente! Primeiro localizo uma fêmea e seu filhote e mais tarde vejo um macho, grande, com uma barba enorme. Eles estão bem no alto de um dos pinheiros seculares. Difícil de fotografar mas um espetáculo para os sentidos. Depois de algumas fotos o macho começa a roncar, provavelmente para mim. Depois de uma meia hora tentando fotografa-los começa a trovejar e me preparo para voltar na chuva. Na volta de novo os quatis, dessa vez eu passo batido fugindo da chuva e eles se assustam comigo. Assim que chego no alojamento a chuva cai em grossos pingos.

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21/09/2007

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Aproveito uma estiada da chuva para fazer uma das trilhas do parque. Dou sorte, encontro um grupo de bugios-ruivos mesmo sem roncarem. Um deles se aproxima para se alimentar, chega a menos de 10 metros de mim, emocionante. Recomeça a chuva e volto para o alojamento. O Parque tem uma boa estrutura, infelizmente suja como a maioria dos alojamentos de outras unidades. A tarde toda chove. Fotografo a chuva de dentro de casa. Um sapo-boi vem me visitar na varanda e faço um book dele num estúdio improvisado na sala. Passo o resto do dia lendo e trabalhando no computador.

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20/09/2007

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Faço mais algumas fotos na estação e depois seu Alfredo me leva num vizinho que tem um papagaio charão domesticado. O belo animal vive solto mas não vai muito longe, apesar de ter as asas inteiras. Tem gente que corta as asas para eles não voarem, uma judiaria. Faço diversas fotos das magníficas cores desse animal. Depois pego a estrada, próximo destino: Barracão, onde fica o Parque Estadual do Espigão Alto. A estrada é asfaltada mas com tantos buracos que mais valeria ser de terra. Depois de muitas horas chego no parque, quase noite. A chuva chega junto.

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19/09/2007

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Finalmente o sol volta a brilhar. Saio para conhecer a área caminhando pela mata. Depois de caminhar sem trilha no meio da mata encontro um grupo de bugios-ruivos seguindo os seus roncos. O ronco deles dentro da mata pode ser assustador para quem não conhece, é muito alto mesmo. Fico um bom tempo fotografando e tentando me comunicar com os macacos. Gravei um ronco deles num pequeno gravador de bolso e toquei no volume máximo que ele permitia. Os bugios ficaram intrigados. Encontro uma bela floresta com imponentes arvores seculares de raízes tabulares. Na volta à sede uma sessão de fotos de gralhas-picaças e cutias que freqüentam a casa do seu Alfredo onde ele dá milho. A luz do fim da tarde tinge as araucárias de dourado.

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18/09/2007

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Continua a chuva mas mesmo assim fotografo. Me instalo num escritório mais afastado e pela janela monto a 300 mm com o tripé. Assim consigo fotos de jacus e um veado que vem comer as folhas de um pessegueiro bravo, dica do Seu Alfredo. Uma tarde de espera e paciência, mas com frutos.

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17/09/2007

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Amanhece chovendo. Pego a estrada rumo a Muitos Capões, onde fica a Estação Ecológica Aracuri-Esmeralda, administrada pelo Ibama. É uma pequena unidade de 277 hectares. Quem cuida é Seu Alfredo, um simpático senhor que trabalhava no Taim antes de vir para cá. Me alojei num dos chalés disponíveis. Por coincidência no outro chalé estavam hospedados os técnicos de uma empresa de Florianópolis que estão fazendo o plano de manejo da unidade. Choveu o dia todo assim que fiquei no chalé trabalhando no computador.

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16/09/2007

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Não tão cedo quanto eu gostaria encontro com os policiais ambientais que irão me acompanhar. São três policiais, um deles aposentado que dizem eles é o que conhece bem a área do Parque Estadual do Ibitiriá. Eles estão levando carne. Sinto um clima de churrasco no domingão. O aposentado vai no meu carro e os outros seguem no carro da polícia. Ele me diz que era cozinheiro na polícia. Na estrada encontramos um bando de xupins-do-banhado. É um parque ainda não implantado, como muitas unidades de conservação no estado, problemas fundiários... Na chegada um aviário, dentro do parque, e milhares de Pinus elliotes. Uma surpresa, uma palmeira buriti que parece que ocorre naturalmente na área, eu que achava que era uma espécie do norte do Brasil fiquei surpreso. Enquanto os policiais começavam a organizar o seu churrasco eu entrei dentro do mato para procurar o que fotografar. Musgos, araucárias, xaxins, entre milhares de pinus. Cheguei até o rio que dá nome ao parque. Na volta, uma bela foto de siriema, uma ave típica dos campos. Na volta para Vacaria um belo pôr-do-sol num lago onde nadava uma pata com seus filhotes.

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15/09/2007

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Meu último dia em São Jose dos Ausentes. Acordo cedo para voltar ao Cachoeirão dos Rodrigues, agora a trilha completa. Atravesso o rio e pego a trilha pelo margem esquerda. Chego até a lateral da cachoeira, a margem de uma grande piscina natural. Depois de algumas fotos desço pelo rio viajando nas formas e cores das pedras e das plantas. Os primeiros raios de sol pintam a paisagem. Centenas de andorinhas sobrevoam saudando o sol que nasce. Na volta um pequeno lago rodeado de coxilhas amarelas me chama a atenção. De volta a pousada me despeço e faço um retrato de três gerações de mulheres da família. Pego a estrada rumo a Vacaria. Passo por macieiras e muitas queimadas. Em Vacaria me espera uma bela igreja de pedra e um hotel antigo e confortável.

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14/09/2007

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De manhã cedo subo novamente o morro ao lado e admiro um belo amanhecer com a neblina cobrindo as araucárias e campos encoxilhados. Uma carqueja florida me chama a atenção pela sutileza da flor. Depois de um café magnífico na pousada subo na trilha atrás da mesma que leva a um morro onde se vê os rios Silveira e Divisa correrem paralelamente com um desnível de 18 metros. Depois do almoço vou para a fazenda vizinha, também uma pousada rural, onde faço a trilha do puma, que chega num pequenino cânyon onde deságua um riacho e crescem centenas de xaxim antiqüíssimos. Lugar mágico. No caminho uma surpresa, uma gralha azul destroçada, somente uma asa inteira, e um pinhão roído, provavelmente a causa da distração que lhe custou a vida. Na volta ainda tento ir no Cachoeirão dos Rodrigues mas é muito tarde e fico admirando o entardecer de cima dele mesmo. Surpreendo três capivaras nadando no lago formado abaixo da cachoeira. A silhueta delas recorta a superfície da água tingida de tons alaranjados.

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13/09/2007

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Ainda escuro nos encaminhamos, eu e Leonel, para o canyon. Fizemos uma pequena trilha que sobe o Pico Montenegro, ao lado do canyon, o ponto mais alto do estado do Rio Grande do Sul, 1403 m. Lá de cima vimos a claridade aparecer aos poucos. Na subida com lanternas, um susto. Um zorrilho na trilha. Descemos em seguida para fotografar outros ângulos daquela luz maravilhosa num canyon igualmente lindo. As silhuetas dos montes ao longe aos poucos começam a tomar volume e se destacar umas das outras acompanhando a evolução do sol ao longo do céu. Um cardeal negro dá o ar da graça. Na volta, curicacas nos saúdam. Depois de um café comunitário na Arca, vamos todos visitar a Cachoeira do Perau Branco, por onde passa o Rio Sepultura. Uma bela escultura de pedra parece ter sido feita pelo tempo. Depois de muitas fotos e um banho de rio voltamos a Arca onde me despeço de todos e vou para a Pousada Potreirinhos, cujos donos já haviam se tornado meus amigos na jornada pelo resgate do laptop. A paisagem me parecia deslumbrante na luz vespertina. Quando lá cheguei e me instalei, sai para subir um pequeno morro próximo e fotografar um pôr-do-sol magnífico se espalhando pela colinas adjacentes.

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12/09/2007

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Acordei sem pressa, ainda me acostumando com o sucesso da empreitada do dia anterior. Depois de tomar café e me despedir do pessoal da pousada, que também me apoiou bastante, fui a cidade para agradecer a todos que me ajudaram, que não foram poucos. Eu havia mobilizado a pequena cidade  em função da minha história. Fiquei pensando no choque que é chegar um cara com caminhonete importada, câmeras, lentes, laptop e patrocínio numa cidade tão pequena e pobre. Decidi dar a recompensa prometida ao rapaz que me ajudara a encontrar o laptop, nada mais merecido e necessário. Retirei o dinheiro e fui a humilde casa do rapaz. Sua velha mãe estava junto. Entreguei o dinheiro e falei algumas palavras desnecessárias. Fui embora com um aperto no peito, mas com a sensação de missão cumprida. Almocei e me encaminhei para o sitio Arca Verde, onde contei essa história para seus moradores, Leandro (também fotógrafo), sua companheira Bruna e mais um hóspede chamado Leonel. Dormi lá para fotografar o amanhecer no Canyon Montenegro, ali próximo.

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11/09/2007

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Começo o dia indo ao gabinete do prefeito, que eu já conhecia, pois ele me encontrou na saída da delegacia no dia que registrei a ocorrência e já sabia da novela. Ele me recebeu e eu disse-lhe que precisava resolver o assunto de qualquer forma. A cidade não tem posto de polícia civil, que na verdade é quem é responsável por investigações. A delegacia mais próxima fica em Bom Jesus, uma cidade vizinha. O prefeito liga para lá e me passa para o inspetor. Eu explico a situação e ele me pede para vir prestar um depoimento e então ele irá assumir o caso. Vou a um cyber  para mandar uns emails antes de almoçar e seguir para Bom Jesus. Nesse ínterim, o dono do cyber, que também é pastor de uma igreja batista, me chama e diz que precisamos conversar em particular. Já antevejo alguma coisa grave, não sei se boa ou ruim. Nesse ponto a cidade inteira já sabe do meu drama, o fotógrafo que perdeu seu laptop com 12 dias de fotos. Já fiz tudo que me disseram para fazer, coloquei valor na recompensa oferecida, fiz dois “responsos”, um espécie de benzedura feita por senhoras cristãs que acendem velas para encontrar objetos sumidos. As duas me garantiram no dia anterior que quem pegou a minha mochila não iria dormir nesta noite e eu a reaveria. Fui ao escritório do pastor, ele e sua esposa. Lá ele me disse que havia sido procurado por um rapaz da igreja que disse que sabia com quem estava minha mochila e ele queria pessoalmente me dizer. Em seguida chega o rapaz. Ele me diz que não conseguia mais dormir pois sua consciência dizia que devia revelar o que sabia vendo minha aflição com aquela situação. Falou que quem havia pegado minha mochila havia sido seu primo de Caxias do Sul. Quando ele ia procurar o número do telefone toca meu celular, era o primo. Ele me diz que está com a mochila, está arrependido e quer devolver. Pergunta por recompensa. Num lampejo, nem sei de onde, eu pergunto imediatamente se ele acha que merece recompensa, depois de ter me feito sofrer por 4 dias desesperado atrás de meu laptop. Ele volta atrás e pede desculpas por ter perguntado. O rapaz de Ausentes diz que me acompanha até Caxias para resgatar a mochila e saímos. A viagem foi cansativa mas a emoção toma conta de mim na hora de encontrar o primo. Ele sai de um indústria onde trabalha, com um macacão de operário. Traz o conteúdo da mochila num saco plástico. Diz que não foi por mal, que é pobre e não resistiu a tentação ao ver a mochila sozinha. Na verdade quando vimos a gravação me impressionou a quantidade de pessoas que entraram e saíram sem tocar na mochila que estava no chão da agência. Durante duas horas e meia ela ali ficou. Eu disse que também não tinha ressentimentos e como prova dei um livro de presente a ele. Voltamos a Ausente chegando na madrugada. Na volta o rapaz me diz que quando ele e sua mãe se mudaram de Caxias para Ausentes, depois de seus pais se separarem, eles haviam vendido a casa e sua mãe escondeu metade do dinheiro na pequena casa alugada de madeira onde moram, e alguém roubou o dinheiro. Esta noite dormi o sono dos justos, aliviado que estava.

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10/09/2007

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Finalmente chegou o dia de ver o que a câmera do banco registrou. As câmeras na verdade. Depois de esperar o gerente analisar ele me chama e me mostra, decepção. A qualidade da câmera é péssima. Se vê claramente duas pessoas chegarem na porta do banco, uma delas, de jaqueta vermelha e boné entra rapidamente, como se já tivesse planejado, pega a mochila e sai, a outra pessoa fica cuidando tudo atrás de uma coluna do lado de fora do prédio. Não consegue-se ver o rosto das pessoas. Vou a polícia militar novamente e peço para eles me ajudarem. O policial vai ao banco e vê diversas vezes a gravação, que com o tempo vai se deteriorando. O gerente explica que ainda é VHS a imagem, com fita, ainda não migraram para o digital, e ainda por cima nos feriados e fins de semana para a fita durar mais ela grava com qualidade inferior. O policial me leva junto para fazer uma investigação sem nenhum resultado.

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09/09/2007

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De manhã volto a cidade. Mais perguntas, mais suspeitas. Volto na Pousada dos Potreirinhos para conversar com a dona. Ela aumenta minhas suspeitas, pois me diz que a mulher em questão não saia do quarto alegando stress e não deixava ninguém entrar. Fico achando que descobri quem foi. Amanhã será o dia de ver a câmera do banco.

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08/09/2007

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A sensação de se perder algo de valor como um laptop já é ruim, mas neste caso era agravada pelas fotos de tantos dias de andanças morros acima e abaixo. Um prejuízo incalculável. Fotos que eu nunca iria repetir pela própria transitoriedade da fotografia. Nesse instante de reflexão eu decidi que em nenhum momento eu desistiria de encontrar aquela mochila, ou, no mínimo, o laptop com as fotos. A cidade tão pequena me dava mais chances de acreditar nessa possibilidade. Voltei a cidade e comecei minha busca. Anunciei na rádio local, nos alto falantes da igreja, sai a perguntar pelas ruas e nada. Algumas suspeitas, mas nada concreto. Sigo até a Pousada dos Potreirinhos atrás de uma suspeita. Alguém viu uma mulher comprar uma bolsa na rodoviária e trocar o conteúdo de uma mochila. Lá chegando falo com o guia de um grupo de ecoturismo de Porto Alegre. A suspeita se dissipa. Volto para a pousada frustrado mas com a vontade ainda firme de encontrar a mochila.

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07/09/2007

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Este foi um dia, no mínimo, muito peculiar que começou com uma singela aurora no canyon do Itaimbezinho que, por sinal, não rendeu grandes fotos pela posição do sol em relação aos paredões. Depois de um desjejum caprichado me despedi dos Aparados e sai rumo a São José dos Ausentes, uma cidadezinha ao norte de Cambará, que ficou famosa por ter sido a locação escolhida para alguns capítulos da minissérie “A casa das sete mulheres”. No caminho alguns campos queimados me confirmavam a fama da região. Nesta época eles têm o hábito arraigado de queimar os campos secos do inverno para fazer com que a brotação venha e alimente o gado. Argumentam que os avós já faziam isso e os pais dos avós, e assim por diante. Não adianta os pesquisadores contra argumentarem que isso mata os microorganismos do solo, os micro-nutrientes, as espécies nativas, que aumenta o efeito estufa e outras coisas do gênero. Nem o ecoturismo já existente na região faz com que os habitantes mudem de idéia. Ao chegar na cidade lembro que tenho que fazer um depósito no banco do brasil  e procuro a agência. Depois vou direto para a Pousada dos Tropeiros, a única que consegui reserva, pois estou no início do feriadão de 7 de setembro. Chegando lá resolvo pelo adiantado da hora ir direto ao canyon do Montenegro fotografa-lo ao pôr-do-sol e deixar para descarregar o carro na volta. O filho da dona da pousada se oferece para ir junto e me guiar. A trilha é bem curta e o entardecer belíssimo rende boas fotos. Na volta ainda passamos num sítio que fica no caminho, chamado Arca Verde. Uma proposta de ecovila voltada para a difusão da permacultura. Estava acontecendo uma vivência com muitos jovens reunidos numa casa feita com uma tina de vinho enorme. Tomamos alguns mates e fomos embora. De volta a pousada começo a descarregar a bagagem e aí o pânico, não encontro a mochila do laptop! No mesmo instante me dou conta que a deixei na agência bancária. Um arrepio percorre meu corpo pois no laptop estão 12 dias de fotos sem backup! Imediatamente saio para a cidade com o Kledir, meu guia. Já faziam 5 horas que eu havia estado no banco. A esperança de encontrar a mochila era mínima. Dito e feito. Chegamos lá e nada da mesma. Depois de perguntar na rodoviária ao lado se alguém tinha visto alguma coisa fomos a Policia Militar registrar a ocorrência. Ainda estupefato com a minha cabeça-de-vento voltei a pousada para uma noite de sono inquieto.

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06/09/2007

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5 da madrugada toca meu despertador. Rapidamente pego o equipamento já previamente organizado na noite anterior e vou de carro até um ponto da estrada que marquei no GPS, onde inicia a trilha para a Cachoeira do Tigre Preto. É preciso cuidado, pois está completamente escuro e vou ter de atravessar o arroio segredo a poucos metros da cachoeira que cai sobre o canyon. Mesmo com lanterna e com a experiência de ter feito a trilha no dia anterior não evito molhar o pé numa escorregada. Sem maiores problemas chego no ponto marcado para a foto do canyon. Já vejo alguma luminosidade com os olhos já acostumados a escuridão. Parece que calculei bem o ponto escolhido para fotografar o amanhecer. Na verdade eu prefiro a luz que antecede o nascer do sol, pois provoca belos degrades de vários tons. Depois de diversas fotos faço um pequeno lanche e começo a voltar. A Cachoeira do Tigre Preto me proporcionou um espetáculo, pois centenas de andorinhas entram e saem das pedras por baixo da queda d´água enquanto um forte vento faz a água voltar para cima na forma de nuvens de fumaça. O sol num contraluz deixa a cena com aspecto ainda mais prodigiosa para mim tentar uma foto quase impossível: capturar a imagem de uma andorinha nesse cenário. De volta a guarita o guarda-parque me diz que as vezes aparece um casal de graxains atraídos pelo cheiro do almoço. Espero e dou sorte. Lá estão eles, perto como nunca conseguiria fotografá-los no campo. Sorte! Volto ao alojamento de Aparados da Serra para um almoço e um breve descanso. A tarde faço mais uma saída não muito feliz.

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05/09/2007

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Novamente  acompanhado do Andrews vou explorar hoje o famoso Canyon Fortaleza. Antigamente, quando ainda não havia guarita e quase nenhum controle da visitação, era possível acampar na borda do canyon, o que fiz várias vezes. Da última vez, inclusive, foi tragicômico, pois acordamos no meio da noite com uma chuva torrencial e tivemos que desmontar acampamento de manhã, encharcados como pintos. Enfim, voltando a nossa expedição, iniciamos pelo mirante, um ponto clássico, cartão postal do parque. Uma trilha curta em aclive. Tipo uma rampa que sobe uma borda do canyon e de onde se tem uma visão geral daquela coisa  monumental. No inicio da trilha, uma bela e delicada flor roxa que Andrews conhece como batatinha. Passamos por dentro de uma pequena mata com várias mirtáceas (família da pitanga, goiaba, etc.). Na volta o primeiro animal do dia, um sapo na borda da trilha. Depois, na tentativa de chegar na borda e obter um ângulo diferente do postal, entramos no meio de um vassoural e eu vejo uma cobra verde. Andrews leva um susto quando eu anuncio o encontro. Parece que hoje vai ser dia de bicho. Passamos no carro para fazer um lanche e vejo um pica-pau-do-campo pousar sobre uma pedra próxima. Como sempre, a câmera já está pronta com a 300mm. Aproximo-me e começo a fotografá-lo quando, para minha surpresa, um tico-tico pousa na frente do pica-pau. Parecia que ele estava querendo aparecer também na foto, e apareceu! Depois de lanchar saímos na direção da Cachoeira do Tigre Preto. Atravessamos o Arroio Segredo, que despenca centenas de metros perau abaixo formando a cachoeira. Na verdade ela tem uma laje alguns metros abaixo antes de cair até o fundo do canyon. Seguimos a trilha adiante até ver a cachoeira de frente e depois mais adiante ainda até encontrar a Pedra do Segredo. É uma intrigante formação rochosa, pois parece que esta pedra de várias toneladas está equilibrada sobre um pequeno ponto de apoio. Na volta um pôr-do-sol em tons azulados sobre o arroio segredo. Deixei o Andrews em Cambará e voltei para a guarita do parque, pois dormiria lá para fazer o amanhecer no canyon Fortaleza.

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04/09/2007

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Acordei cedíssimo para preparar-me para a longa jornada, serão mais de 20 km de caminhada ida e volta até a borda superior do Canyon Malacara. Dou de cara com o Gustavo. Ele passou a noite em claro com dores de uma doença mal curada no fígado. Vai voltar a Porto Alegre para se tratar. Levo-o até Cambará onde primeiro pego o Andrews, nosso guia, e explico a situação. Deixamos Gustavo na rodoviária e vamos em direção ao parque. A trilha inicia na estrada principal já dentro do parque e passa pelos canyons do Rio Leão e Churriados antes de chegar ao Malacara. No caminho várias fotos de plantas, entre elas a Dyckia reitzii, uma bromélia descoberta pelo padre e botânico Raulino Reitz, de Santa Catarina. Encontrei também a bela orquídea sofronites em uma matinha nebular, típica da região montanhosa. Na borda de um penhasco fotografei um urubu, aliás, o único animal fotografado nesse dia. Pela primeira vez o urubu me pareceu um bicho limpo, talvez um preconceito meu por ele viver de carniça e no meio do lixo muitas vezes. Na verdade ele tem uma função ecológica importantíssima. Finalmente chegamos ao Malacara, um belo canyon sem dúvida. Penhascos verticais impressionantes banhados pela luz amarelada do final da tarde tiram o fôlego. Na volta cruzamos pelo arroio Segredo onde vimos um pôr-do-sol em tons de castanho na água correndo sobre o lajeado. Mais adiante este arroio despenca no Canyon da Fortaleza, mas isso vamos deixar para amanhã.

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03/09/2007

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Após o café fomos encontrar o Deonir, chefe do parque que nos recebeu muito bem e sugeriu um roteiro para os três dias previstos para nossa visita. Em seguida fomos fazer a trilha do vértice que contorna o cânion do Itaimbezinho. Ao final da trilha resolvemos entrar um pouco no mato para tentar avistar fauna. Resultado: muito barro e um passeio bacana, mas nada de animais. Voltamos à hospedaria para o almoço e à tarde fomos à trilha do cotovelo, que segue o outro lado do mesmo cânion. O cânion estava ao sol, porém o vale coberto pela cerração. Surreal. E, para completar, o pôr-do-sol trouxe um dourado intenso a esse cenário. Voltamos à hospedaria para jantar e descansar com a sensação de termos vislumbrado o adormecer da natureza.

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02/09/2007

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Aproveitamos o mau tempo e resolvemos tirar o domingo para descansar. Ficamos no hotel a manhã toda. Almoçamos no centro da cidade e passamos em um cyber antes de partir rumo ao Parque Nacional dos Aparados da Serra. Chegamos antes do final de tarde à hospedaria já dentro do parque. Arrumamos o acampamento e preparamos a janta com a lareira estalando.

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01/09/2007

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A próxima unidade de conservação seria o Parque Estadual do Tainhas.

Encontramos a Salete Carbonera, funcionária da Sema, que nos acompanhou.

Logo ao chegar na área do parque percebemos a presença intensa dos plantios de Pinus elliotis. Chegamos ao passo da Ilha, um trecho da estrada que passa por dentro do rio, atravessa uma ilha e sai na outra margem. Incrível. A estrada parece simplesmente terminar na margem de um rio e suas corredeiras. Porém, os carros devem seguir normalmente através das águas. Particularmente achei impressionante.

Paramos na ilha para fotos e lanche. Na seqüência seguimos para o passo do “S”. Mesma coisa. A estrada termina na margem do rio e os carros seguem através das águas. Dessa vez o caminho “aquoso” faz um “S” com balizas demarcando, dando nome ao local. Fotografamos o lugar e terminamos a visita por ali.

Voltamos a São Francisco de Paula e dormimos no Hotel Cavalinho Branco.

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31/08/2007

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Fomos cedo ao encontro do pessoal da Polícia Ambiental no Café Tainhas. O tempo estava meio fechado e logo na chegada descobrimos que o pessoal que nos acompanharia na Estação Ecológica de Aratinga não tinha o esperado conhecimento da área. Subimos no Cucuruto, um morro que possibilita uma visão geral da área. Vimos muitos pontos de queimadas. Depois fomos à casa de Seu Jurandir, agricultor que mora com a esposa e o filho em uma área belíssima próxima de um vale enorme. Do topo de um morro se pode ver várias quedas d´água distribuídas ao longo do vale. Após alguns minutos desde a chegada ao mirador o tempo fechou e a chuva voltou. Assim, voltamos à casa de Seu Jurandir para fazer seu retrato.

Em seguida decidimos voltar à cidade. Voltamos pela estrada extremamente embarrada e chegamos já de noite ao Hotel Martini. Jantamos no Restaurante do Lagarto.

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30/08/2007

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Com a chegada da chuva resolvemos seguir viagem. Aproveitamos para passar por Nova Petrópolis e Canela para fazer algumas fotos das, supostamente, maiores araucárias do estado: o pinheiro grosso e o pinheiro multisecular. Aproveitamos a civilização para fazer algumas ligações e fomos dormir na Floresta Nacional de São Francisco de Paula onde fomos bem recebidos pelo pessoal do Ibama.

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29/08/2007

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Nossa jornada começou cedo para o Rio Ligeiro. Subimos até aproximadamente 700 m do nível do mar. Uma caminhada forte morro acima. Sempre escutando as histórias do Seu Darci, uma figura engraçada que não consegue ficar calado. Lá do topo se pode avistar o vale e quedas d´água ao longe. Na descida vimos um grupo de quatis. Também paramos e pude assistir a uma sessão de alongamentos da dupla Zé e Darci.

Voltamos já noite. Seu Darci havia convidado para o jantar, mas preferimos cozinhar e celebrar o aniversário do Zé no alojamento. Um risoto de funghi acompanhado de vinho foi o menu, com direito a um “feliz aniversário” solo.

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28/08/2007

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A temperatura caiu durante a noite e quando acordamos, pouco depois das 5h, ainda estava bem frio. Carregamos a camionete e pegamos a estrada por volta de 6h15min, depois de passar por uma farmácia para comprar um remédio para combater um início de gripe. Tomamos café na estrada, no posto Rota 80, e chegamos na Barra do Ouro ás 9h. Encontramos o seu Darci, funcionário da Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), na sede recém inaugurada da Reserva Biológica da Serra Geral que fica em Barra do Ouro, um distrito do município de Maquiné.

Depois de descarregar nossas coisas saímos para a reserva. Nosso objetivo era conhecer o vale da Encantada, um dos que estão localizados dentro da reserva.

Ficamos na parte mais baixa do vale. Fotografamos nas cachoeiras do Rio da Encantada até o sol começar a descer para trás dos morros. Não avistamos animais.

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